Olhar luminoso

Se eu tivesse o estro dos grandes poetas, 
de suas vozes que ecoam ainda na amplidão
em espaços de alma, como explosões de estrelas,
atravessando o universo, em caminhos de sonho…

Se eu tivesse a voz afinada dos magníficos cantores,
harmoniosas como o canto de pássaros no abismo,
em infinitos ecos que incessantemente se repetem,
enchendo os corações de ternura e calma e alegria…

E ainda se eu tivesse a inspiração dos músicos,
da clássica textura de acordes celestiais,
aqueles que até hoje são ouvidos em toda parte,
com a reverência que se devota aos santos nos altares…

E mais ainda se eu pudesse criar como os gênios,
as máquinas e os métodos, a ferramenta e a forma
que tornam este mundo maravilhoso e mágico,
avançando entre sombras no infinito para a glória…

Ainda assim e mesmo assim não poderia ser feliz de verdade,
se, apesar de tudo isso, eu tivesse que perder, por um momento,
o olhar luminoso do amor que me incendeia,
quando aquela mulher que me quer desmaia em gozo…

Lucimar.

Natal, 6 de novembro de 2017.

A imagem foi copiada da Internet.

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O Amor que se revela

O amor que se revela

 

No coração do Pai canta o Amor.

Com Ele estão o Verbo, gerado, não criado,

e o Espírito que sopra sobre as águas.

É o Amor primordial, Trinitário,

que nos criou do nada.

E que nos fez casal, homem-mulher,

fecundos e multiplicantes.

 

E o Pai nos deu, de graça,

todo fruto de toda árvore

do maravilhoso jardim,

menos aquele que nos destruiria.

E desobedecemos.

E perdemos a Vida que jorrava

das fontes daquele Paraíso.

 

Mas Ele nos prometeu Maria

para esmagar a cabeça da serpente.

E abençoou Noé, para salvar a Terra.

E jurou descendência a Abraão,

incontável como as estrelas do céu.

E enviou Seu Anjo para salvar Isaac.

E livrou José da morte

e glorificou seu exílio.

 

Ele viu a miséria de Seu povo na terra do Egito

e o resgatou.

E apareceu a Moisés na sarça ardente.

E lhe disse o Seu nome: EU SOU.

Ele livrou seus primogênitos da morte

na passagem do Anjo.

E fez Seu povo atravessar o Mar Vermelho.

 

No coração do Pai canta o Amor.

Ele pôs Sua lei em nosso seio

e a inscreveu em nosso co­ração.

Ele perdoou a nossa culpa

e não se lembrou mais de nosso pecado.

E enviou para nós Seu Filho único,

o Amor em pessoa,

não para nos dar a morte,

sim, para nos dar a Vida,

perdão, misericórdia, compaixão.

 

Que escutou o pedido de Sua Mãe

e transformou a água em vinho.

E prometeu à Samaritana água viva

e perdoou a Mulher Adúltera.

 

E acolheu os pecadores,

de prefe­rência aos que se julgavam justos.

Pois não veio para julgar, mas para salvar.

Teve pena do povo cansado, abatido,

ovelhas sem pastor,

dos alquebrados sob o próprio fardo,

e ofereceu-lhes descanso

e lhes transmitiu a paz.

 

E curou cegos, surdos, coxos,

leprosos, paralíticos,

do­entes do corpo e da alma,

oprimidos, desprezados e abandonados.

 

E saciou a multidão faminta

com o pão multiplicado,

pro­messa de um novo Pão,

de Vida eterna.

 

E teve compaixão do cego Bartimeu,

que o chamava de Filho de Davi.

E de Dimas, o Ladrão,

que roubou o céu, tocado pela graça.

 

E ressuscitou dos mortos e ascendeu ao céu,

para nos sentar, com Ele,

à direita do Pai.

 

No coração do Pai canta o Amor.

Amor que é também Filho,

e que se fez humano como nós.

Amor que é Espírito Santo,

Aquele que nos ensina

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Segno di Eternità

Questo pomeriggio, ero con il mio amico, fratello Lucimar Luciano de Oliveira, un buon poeta. Ho fatto una versione italiana di una delle sue poesie che aveva portato a casa mia. Penso che abbiamo un buon risultato. Vedi!

SEGNO DI ETERNITÀ

Da tempo, si è esplorata la bellezza del mare,
Ma io mi tuffo nel suo silenzio.
Il silenzio del mare passa attraverso di me
Come segno di eternità.
L’uomo che ritorna al mare
È l’uomo che ritorna alla sua origine,
Alla sua solitudine fondamentale.
In mare, ho risolto
Come in casa mia.
In mare, mi sono trovato
Come nel mio castello interiore.
Sono stato santo,
Sono stato un poeta,
Sono stato l’uomo
In mare, il mio ermo,
il mio cielo,
il mio regno.
In lui, ho scritto la poesia
della mia libertà
perché tutte le porte del mare erano aperte a livello del mare,
tutte le porte del mare erano diventate leggere come il vento,
tutte le porte del mare erano diventate bandi di sincerità.

Lucimar Luciano de Oliveira
Versão Italiana de Roberto Lima de Souza

Caminhos

Depois de muito tempo sem publicar, eis um novo poema, que acabo de produzir, inspirado pela viagem de minha amada Edna, a São Paulo, para um compromisso de família.

Na verdade, havia um antigo projeto de poema, que serviu de base para a elaboração deste. Mas a emoção da distância e da saudade promoveu uma nova forma poética.

Caminhos

Quero aprender teus caminhos,
perguntar por onde andas,
descobrir tuas estradas,
percorrê-las todo o tempo…

Quero saber dos teus passos,
de tuas horas e sonhos,
pra onde olham teus olhos
e o que me dizem teus gestos…

Quero ser bom marinheiro,
a conduzir meu navio
para chegar nos remansos
dos teus abraços serenos…

Quero banhar-me de chuva
nas ruas da tua infância
e brincar nas avenidas,
nas calçadas dos teus sonhos…

Quero cantar sob a lua
as canções de tua escolha,
que se cantavam de noite
no crepitar das fogueiras…

Quero dizer mil palavras
que soem como poesia
e que conquistem sorrisos
do teu rosto confiante…

Quero ouvir os teus segredos
que ninguém mais ouviria
e as histórias inventadas
por teu coração ardente…

Quero rezar de mão dada
contigo, junto da cama,
ajoelhados, contritos,
como as avós ensinavam…

Quero, enfim, viver contigo
no aconchego, em nossa casa,
e caminhar teus caminhos
até o final dos meus dias!

Lucimar Luciano

Natal, 31 de julho de 2017.

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Conveses rotos

Faço hoje uma releitura de um poema de paixão, que me é muito caro. Esse poema foi a minha parte na excelente composição de Roberto Lima de Souza, meu amigo, que acaba de ser gravada em CD, aqui em Natal, RN, junto a muitas outras criações do grande compositor, poeta, músico e, a partir de hoje, Membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Mas eu quis fazer agora uma releitura radical. Pensando cada frase, cada verso, cada estrofe, como se fosse um poema e, no conjunto, criando a grande emoção de ter sido um homem do mar.

Trabalhei os versos, que ficaram soltos, sem pontuação, para serem também recriados por cada leitor, particularmente aqueles que já viveram no mar, mas também aqueles que têm a alma marinheira, que viaja, que voa, que sente, que ama a poesia.

Aí vai, portanto, este novo pássaro, querendo fazer ninho em seu coração, meu amigo ou minha amiga.

Conveses rotos

voltei de tempestades
cheguei de travessias
vim do oceano
do mar-alto
dos abismos

tenho o corpo ferido em vento e mar
a alma em fúria
o coração em fogo
o peito em dor

marinheiro andante de rotas e derrotas
trago as histórias que vivi de portos e mulheres

eu menino travesso
eu adolescente triste
eu homem desesperado

meus pés têm o lanho de conveses rotos
em navios sem rumo pelos mares da vida

e minhas mãos as marcas de pesadas enxárcias
cabos trançados
espringues e lançantes

voltei de longe
de horizontes e ventos
de madrugadas lentas e manhãs ardentes
e muitas horas de vigília em mastros oscilantes

de noites negras em céu multiestrelado
de plêiades e estrelas solitárias
constelações e galáxias

vim de dunas
de alísios
de praias brancas imensas
litorais ao longe
oceano infinito

vim de noites sem dormir em mar encapelado
navios como nozes jogados entre ondas
naufrágios e balsas
nenhum cais
nenhum porto

e chego aqui em tua casa
em teu porto
em teu cais

e chego coração
alma
peito aberto

na busca do repouso de uma tarde assim,
em brisa mansa e tépido convívio

para saber tua presença
teu silêncio

teu vulto de mulher que me enternece
e encanta

Lucimar Luciano
Natal, 3 de agosto de 2017.

Velho navio

Homenagem ao glorioso Navio-escola e Navio Oceanográfico “Almirante Saldanha”:

Velho navio

Velho navio,
cisne branco em ventre azul
das águas límpidas do sul.

Quantas vezes partiste,
rasgando o dorso dessas águas,
rútilo velame de punhais
que permanece incólume ao tempo e à morte.

O grito do gajeiro fere,
súbito,
o teu silêncio ancestral.

Na noite dos teus mastros decepados,
ouço vozes perdidas de manobras a pano
e o vento milenar da tempestade.

Hoje, meu velho Saldanha,
renasces para sempre.
E, fulgurante pássaro marinho,
retornas à integridade original.

Lucimar.
Este poema foi escrito no dia da Mostra de Desarmamento do “Saldanha”, 6 de agosto de 1990, por mim, seu derradeiro comandante.

Natal, 21 de julho de 2016

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Não deixarei que partas

Não deixarei que partas de mim
tão de repente assim…

Pensavas que eu te esquecia,
que não queria saber de ti,
que tudo estava acabado?

Te enganavas.

Não deixarei
que o ar da noite me embriague a ponto
de eu não sentir teu perfume de mulher,
disposta a tudo perder por mim,

a chorar as lágrimas que a chuva não chorou,
a ventar com a fúria das tempestades
no oceano das tuas angústias…

Não deixarei que partas.

Se deixasse,
não seria eu o marinheiro de inúteis viagens
que aportei em ti como um velho barco
de muitas travessias

e despertei-te do torpor das enseadas chãs,
para cravar-te a âncora de sonho,
na carne de tua alma enclausurada.

Nunca partirás de mim, mulher amada.

Porque temos um norte,
uma bússola, uma estrela,
a dizer-nos o rumo em mar aberto,

abrindo-nos horizontes nunca imaginados,
lúcidos e límpidos de sóis vermelhos de abismo,

de morte e vida,
de dor e gozo,
de pranto e alegria.

Lucimar.
Natal, 18 de julho de 2017.
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