Olhar luminoso

Se eu tivesse o estro dos grandes poetas, 
de suas vozes que ecoam ainda na amplidão
em espaços de alma, como explosões de estrelas,
atravessando o universo, em caminhos de sonho…

Se eu tivesse a voz afinada dos magníficos cantores,
harmoniosas como o canto de pássaros no abismo,
em infinitos ecos que incessantemente se repetem,
enchendo os corações de ternura e calma e alegria…

E ainda se eu tivesse a inspiração dos músicos,
da clássica textura de acordes celestiais,
aqueles que até hoje são ouvidos em toda parte,
com a reverência que se devota aos santos nos altares…

E mais ainda se eu pudesse criar como os gênios,
as máquinas e os métodos, a ferramenta e a forma
que tornam este mundo maravilhoso e mágico,
avançando entre sombras no infinito para a glória…

Ainda assim e mesmo assim não poderia ser feliz de verdade,
se, apesar de tudo isso, eu tivesse que perder, por um momento,
o olhar luminoso do amor que me incendeia,
quando aquela mulher que me quer desmaia em gozo…

Lucimar.

Natal, 6 de novembro de 2017.

A imagem foi copiada da Internet.

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