Não deixarei que partas

Não deixarei que partas de mim
tão de repente assim…

Pensavas que eu te esquecia,
que não queria saber de ti,
que tudo estava acabado?

Te enganavas.

Não deixarei
que o ar da noite me embriague a ponto
de eu não sentir teu perfume de mulher,
disposta a tudo perder por mim,

a chorar as lágrimas que a chuva não chorou,
a ventar com a fúria das tempestades
no oceano das tuas angústias…

Não deixarei que partas.

Se deixasse,
não seria eu o marinheiro de inúteis viagens
que aportei em ti como um velho barco
de muitas travessias

e despertei-te do torpor das enseadas chãs,
para cravar-te a âncora de sonho,
na carne de tua alma enclausurada.

Nunca partirás de mim, mulher amada.

Porque temos um norte,
uma bússola, uma estrela,
a dizer-nos o rumo em mar aberto,

abrindo-nos horizontes nunca imaginados,
lúcidos e límpidos de sóis vermelhos de abismo,

de morte e vida,
de dor e gozo,
de pranto e alegria.

Lucimar.
Natal, 18 de julho de 2017.
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