Quando acordei

Poema do meu próximo livro “Mar em mim”:

Quando acordei

Quando acordei
havia partido daquele cais cheio de gente
e tinhas ficado lá,
e pressenti que tinhas permanecido para sempre lá.

Era muito cedo: o mar
dizia baixinho nas vigias um ciciar dolente
cantando cantigas de ninar
e a madrugada percorria o tombadilho
e o passadiço
e os mastros
silenciosa, imponderável.

Meu navio:
um imenso navio negro
um imenso navio procurando a manhã.

Ainda em minhas mãos o peso dos teus seios.

Lucimar.
Natal, 23 de março de 2015.

Imagem copiada da Internet em: mariza-brasil.zip.net.

caisdavida

Saúdo esta noite

Do meu próximo livro, “Mar em mim”, a ser lançado a 23 de abril, segue mais um poema de paixão:

Saúdo esta noite

Saúdo esta noite que me traz teu cheiro,
cheiro de madressilvas e flores do mato,
cheiro de terra molhada e chuva benfazeja,
cheiro de sorriso manso em boca de mulher…

Saúdo esta noite que me embriaga em sonhos,
como um cálice de vinho pela goela do silêncio,
e me tem desprevenido, olhando o céu escuro,
à espera de alguma coisa que não vem, não chega nunca…

Saúdo esta noite que aqui pousa como um pássaro negro,
voejando na janela do meu desejo esquecido,
eu que pensava nunca mais percorrer tantos caminhos
e imaginava estar morrendo quando chegava a noite…

E, como o marinheiro em uma nova travessia,
saúdo esta noite, que é muito mais que uma noite,
pois meu navio cego, que busca horizontes novos,
mais que porto, quer o mar, mais que chegar, quer partir…

Partir para o encontro das grandes aventuras,
como os descobridores de outros séculos, insones,
em tempestades e dores, em tragédias e vitórias,
para encontrar, no Mar da Vida, o Amor que tudo salva…

Lucimar.
Natal, 18 de março de 2015.

A imagem foi copiada da Internet em: todoamorqueeuguardei.blogspot.com

11075279_968857739793593_7994428772233245427_n

Homem e mar

O que têm entre si Homem e Mar?

Homem e mar (um poema de A a Z)

Abraças a manhã cinzenta e fria, que traz, de longe, o açoite crispado dos ventos do mar.

Beijas, no ar, o voo branco das gaivotas peregrinas, traços perdidos como desenhos vãos.

Caminhas, no espaço louco dos teus olhos, o sonho de viver, maior que todos os espaços.

Deságuas, no oceano da alma, a esperança de ser, de conhecer, de amar sem medida.

Expandes, sobre as ondas de tempo, o som interior do teu segredo, da dor, da solidão.

Fecundas, no deserto das multidões sem rumo, a véspera ansiosa de fraternidade.

Guardas, no peito ferido de punhais e anseios, o anseio das manhãs que virão, depois da dor.

Homem és, de onde estás, olhos postos no infinito, consciência e luz.

Istmo agudo entre a terra e o céu,
Janela que se abre para a eternidade,
Lamento e expectativa, luz e sombra,
Mar, de profundidades e larguras,
Nada te completa, em tua busca sem fim.

Ontem, hoje e amanhã,
Passado, presente e futuro,
Queres tudo conter.

Respiras o desejo insaciável, a
Sede imitigável.
Transpiras o suor das grandes lutas,
Urgentes, derradeiras.

Vigia dos séculos, ó homem,
Xis de toda a equação universal,
Zelador do abismo, anjo e fera.

Lucimar.
Natal, 13 de março de 2015.

A imagem foi copiada da Internet em: ultradownloads.com.br.

11043424_965758946770139_3653253394851590515_o

Estranho coração

Que estranho coração é esse que bate em mim?

Estranho coração

Que estranho coração é esse
que bate em mim
e clama pelo amor, toda hora, todo dia?

Que estranha chama é essa que arde aqui,
e quer mais, e mais, amar,
e amar o infinito?

Que dor é essa que sinto,
mesmo quando estou dormindo,
de viver aqui e agora e não ser ainda eterno?

Quando é que vou saber a verdade
sobre a vida,
não essa pobre e curta vida, não esse tempo que passa,
mas a vida que me espera, além da terra,
além dos astros,
depois do tempo, depois da morte,
depois de tudo?

Ah! se eu tivesse em minhas mãos
o poder de decifrar
o segredo das estrelas, o mistério das esferas
que caminham pelo espaço em galáxias tão distantes…
Se eu soubesse o que se esconde
quando termina o universo…

Que estranho coração é esse
que bate em mim
e clama pelo amor, toda hora, todo dia?…

Lucimar.

Natal, 7 de março de 2015.

Imagem copiada da Internet em: glee.wikia.com.

11038122_962498113762889_8340633977889844008_n