Nova messe

Chegou o último dia de 2014. Para marcar esta data, publico o soneto de hoje:

Nova messe

Em fogos de artifício, na amplidão,
Findou-se um ano mais, e desta vez
Eu sinto que fugiu, com suas leis,
O tempo, entre meus dedos, sem razão…

Entre bolhas de espuma, de sabão,
Partem meus sonhos, neste fim de mês:
– “Um dezembro qualquer” –, dirão vocês,
E de meus tolos medos zombarão…

Mas chega este outro ano e o tempo voa,
Já não trabalho mais e sigo à toa,
Cabelos brancos, corpo que envelhece…

Entretanto, na vida que se esvai,
Brava semente em minha terra cai
Pois é imensa e fecunda a nova messe!

Lucimar.
Natal, 31 de dezembro de 2014.

A imagem foi copiada da Internet em: www.papeldeparede.etc.br.

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Não é um dia qualquer

Na contagem regressiva deste fim de ano, um desejo, uma emoção, uma prece!

Não é um dia qualquer

Não, não é um dia qualquer,
um desses dias comuns,
sem graça alguma.

Se olho pela janela do nosso quarto,
não vejo só essas nuvens brancas,
e o céu azul, prenunciando bom tempo.

E se escuto o som que enche o vazio da manhã,
não é apenas a voz grave de Armstrong
neste “wonderful world”…

Alguma coisa a mais faz bater meu coração.
alguma coisa como um desejo,
alguma coisa como um bater de sinos,
alguma coisa como este raio de sol,
impertinente, menino.

E aqui espero, como um menino,
que a vida, como a manhã,
volte a nascer em minha alma,
neste antepenúltimo dia do ano da graça
de dois mil e catorze,
em ritmo de marcha batida,
para um passado sem volta.

E o ano que vai chegar, que venha radioso,
alegre, cheio de novidades mágicas,
de cores radiosas,
de flores e frutos e milhões de bênçãos
sobre todos nós, gente deste mundo,
bêbados de sonhos e esperanças,
indissoluvelmente unidos,
nesta nave planetária!

Lucimar.
Natal, 29 de dezembro de 2014.

A imagem foi copiada da Internet em: ultradownloads.com.br.

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Brava espia

Estamos nos últimos dias de 2014. Hoje, 28/12, quero homenagear os homens do mar. Não apenas no seu trabalho duro, enfrentando a intempérie, a distância, a saudade de casa. Mas também no seu repouso sagrado. Para isso, publico o soneto “Brava Espia”, escrito para o grupo dos Poenautas, a partir de uma fotografia enviada pelo Daltro Ollveira, um dos confrades:

Brava Espia

No repouso sereno, em grande paz,
Depois de uma valente travessia,
Meu navio se entrega à brava espia
Que lhe segura a proa uma vez mais.

Foram tantas as lutas desiguais
Que juntos enfrentamos, dia a dia,
Em tormentas no mar e nostalgia
E curtindo a saudade deste cais!

Os pés na pedra fria, vejo a proa:
Cada ferro em seu plácido escovém
E a brava espia, firme, em terra boa!

A segurança e a lógica, porém,
Se esfumam na verdade, que destoa:
Sem meu navio, já não sou ninguém!

Rio de Janeiro, 3 de julho de 2003, 06:00 hs.

Lucimar.
Natal, 28 de dezembro de 2014.

PS: “espia” é o cabo que amarra o navio ao cais. “Brava espia” foi título proposto, em desafio, pelo autor da fotografia, o Daltro Oliveira, para que cada Poenauta escrevesse algum poema.

Brava espia

Velho lobo, velho barco

Quando o comandante Antônio Carlos de Oliveira e Silva faleceu, há alguns anos, dediquei-lhe o soneto abaixo. Hoje, neste final de ano, publico-o nesta página, para lembrar o velho amigo, acima de tudo marinheiro:

Velho lobo, velho barco

Velho lobo do mar, bem navegado,
Na pernada final do seu destino,
Partiu sozinho, intenso, peregrino,
Pelo oceano nunca palmilhado.

E partiu de repente, azafamado,
No rebojo do vento, ao som do sino,
De um vento sudoeste, sibilino,
Num sistema frontal inesperado.

Agora ele postou-se, marinheiro,
A boreste, enfrentando o mar banzeiro,
No passadiço, as flâmulas em arco!

Nunca mais vai faltar-lhe a infinitude
Nem gaivota gentil que sempre o acude,
Foi dormir lá no céu com o Velho Barco!

Lucimar.
Natal, 26 de dezembro de 2014.

A imagem foi copiada da Internet, em olhares.uol.com.br.

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O Amor que se revela

Hoje é Véspera de Natal. Natal de Jesus Cristo.
Para comemorá-lo, além das rabanadas e dos panetones, e das taças de vinho e dos presentes, precisamos conhecer quem é esse Homem, de onde ele vem, o que de novo ele veio nos dizer.

Ele é “o Amor que se revela”:

O Amor que se revela

No coração do Pai canta o Amor.
Com Ele estão o Verbo, gerado, não criado,
e o Espírito que sopra sobre as águas.
É o Amor primordial, Trinitário,
que nos criou do nada.
E que nos fez casal, homem-mulher,
fecundos e multiplicantes.

E o Pai nos deu, de graça,
todo fruto de toda árvore
do maravilhoso jardim,
menos aquele que nos destruiria.
E desobedecemos.
E perdemos a Vida que jorrava
das fontes daquele Paraíso.

Mas Ele nos prometeu Maria
para esmagar a cabeça da serpente.
E abençoou Noé, para salvar a Terra.
E jurou descendência a Abraão,
incontável como as estrelas do céu.
E enviou Seu Anjo para salvar Isaac.
E livrou José da morte
e glorificou seu exílio.

Ele viu a miséria de Seu povo
na terra do Egito
e o resgatou.
E apareceu a Moisés na sarça ardente.
E lhe disse o Seu nome: EU SOU.
Ele livrou seus primogênitos da morte
na passagem do Anjo.
E fez Seu povo atravessar o Mar Vermelho.

No coração do Pai canta o Amor.
Ele pôs Sua lei em nosso seio
e a inscreveu em nosso coração.
Ele perdoou a nossa culpa
e não se lembrou mais de nosso pecado.
E enviou para nós Seu Filho único,
o Amor em pessoa,
não para nos dar a morte,
sim, para nos dar a Vida,
perdão, misericórdia, compaixão.

Que escutou o pedido de Sua Mãe
e transformou a água em vinho.
E prometeu à Samaritana água viva
e perdoou a Mulher Adúltera.

E acolheu os pecadores,
de preferência aos que se julgavam justos.
Pois não veio para julgar, mas para salvar.
Teve pena do povo cansado, abatido,
ovelhas sem pastor,
dos alquebrados sob o próprio fardo,
e ofereceu-lhes descanso
e lhes transmitiu a paz.

E curou cegos, surdos, coxos,
leprosos, paralíticos,
doentes do corpo e da alma,
oprimidos, desprezados e abandonados.

E saciou a multidão faminta
com o pão multiplicado,
promessa de um novo Pão,
de Vida eterna.

E teve compaixão do cego Bartimeu,
que o chamava de Filho de Davi.
E de Dimas, o Ladrão,
que roubou o céu, tocado pela graça.

E ressuscitou dos mortos e ascendeu ao céu,
para nos sentar, com Ele,
à direita do Pai.

No coração do Pai canta o Amor.
Amor que é também Filho,
e que se fez humano como nós.
Amor que é Espírito Santo,
Aquele que nos ensina
todas as coisas.

Lucimar.
Natal, 24/25 de dezembro de 2014.

A imagem foi copiada da Internet.

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Torpor de mundo

Aproxima-se o Natal de Cristo.

Quero, por isso, deixar aqui um poema dedicado ao Cristo de Todos os Caminhos:

Torpor de Mundo

Quero sacudir de mim
este torpor de mundo,
esta poeira de tristeza,
este enjoo.

Sacudir de mim
o pó da tarde.

Sacudir de mim
o gosto amargo das indecisões,
o gosto amargo das esquinas,
o gosto amargo de todos os pecados.

Quero sacudir de mim
este silêncio
que é um grito de dor.

E dizer-te, amigo,
forasteiro de todas as estradas,
que tens as vestes rasgadas
e não tens pão
e não tens água,

dizer-te, amigo,
eternamente dizer-te, amigo Cristo
de todos os caminhos:

Eu te amo!
Eu te amo!
Eu te amo!

Lucimar.
Natal, 22 de dezembro de 2014.

A imagem foi copiada da Internet em ultradownloads.com.br.

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Esperando

Participo a todos os meus amigos que hoje recebi a seguinte comunicação:

Prezado Comte Lucimar, participo que o senhor foi agraciado com o PRÊMIO DESTAQUE EM QUALIDADE DE TEXTO E CONTEÚDO LITERÁRIO em 2014, promovido pelo Círculo Literário do Clube Naval, pelo poema “ESPERANDO”. A premiação consta da republicação, em destaque, nesta última edição do ano de 2014 (nº 66). Aproveitamos a oportunidade para parabenizá-lo pela premiação e agradecemos a gentileza por colaborar conosco, elevando o nível de qualidade da Revista Literária Mare Nostrum, o que muito nos honra! E queremos poder contar com a sua participação! Desejamos, também, votos de um Santo Natal e de Venturoso ano de 2015, extensivos a sua família. Com apreço,
Gilberto Rodrigues Machado
Capitão-de-Fragata (Ref)
Coordenador do Círculo Literário do Clube Naval

O poema “Esperando”, acima citado, foi escrito em 1958, nos meus dezoito anos, quando, aspirante do 1º ano, na Escola Naval, na Ilha de Villegagnon, ficávamos vendo, pela janela do camarote do quinto andar, a passagem dos barcos e a paisagem de Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara. Salve os meus dezoito anos!

Esperando

É cinzento o céu, não chove ainda lá fora.
Não ouço pássaros nem sinto a luz do sol.
No entanto, paira sobre as nossas cabeças
tontas
o hálito das árvores cheias de orvalho
ferindo-nos docemente as almas sórdidas
carregadas dos vícios da cidade.

É cinzento o céu, não chove ainda lá fora.

E eu fico na janela. Eu fico esperando.
Esperando não sei quê.

Passam navios envoltos na bruma ociosa
da manhã.
Navios de longe chegam.
Navios pra longe vão.

(Hoje as águas não são verdes,
são cheias de óleo.)
Hoje as águas quase não trazem reflexos.
Existe uma estranha quietude,
uma líquida quietude.
Os ventos não sopram,
quase não se vê o outro lado da baía.

E eu fico na janela. Eu fico esperando.
Esperando não sei quê.

Tudo passa lentamente.
O tempo se arrasta cansado.
Os barcos de pesca parecem navios
sem pátria
que fogem lá bem pra longe.
Outro dia se falava em guerra.
Eles, no entanto, desconhecem política
e fronteiras no mar…
e avançam rápidos na ociosa paisagem
da manhã sem sol.

E eu fico na janela. Eu fico esperando.
Esperando não sei quê.

Rio de Janeiro, Ilha de Villegagnon, Camarote 506, dezembro de 1958.

Lucimar.
Natal, 19 de dezembro de 2014.

A imagem foi copiada da Internet.

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