Marinheiro

Hoje trabalhei este soneto:

Marinheiro

Quero falar do mar, eu, marinheiro,
Acostumado às grandes travessias,
Que naveguei em tantas ventanias,
Pelo mundo, sem casa e sem dinheiro…

Da vida que vivi, o tempo inteiro,
Sem família e sem lei, de mãos vazias,
Argonauta de sonho e valentias,
Dom Quixote de bar, sem escudeiro…

Aqui, na solidão, olhando a Lua
Bem distante das luzes da cidade,
Venho sentar-me à beira deste cais…

E deixo-me levar, na noite nua
Para morrer, nas dores da saudade
Daquele tempo, que não volta mais!

Lucimar.
Natal, 30 de agosto de 2014.

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Tempos de Sonho

Um antigo soneto, escrito em maio de 2011, sofreu uma releitura, hoje, para publicação neste espaço. Fiquei na dúvida entre manter o antigo título, “Último Sono”, ou renomeá-lo, como “Tempos de Sonho”. Preferi este último.

Tempos de Sonho

Brigues, naus, caravelas, que saudade
Dos tempos de Oceano e de Aventura!
Tangidos pelo vento, em noite escura,
Meus olhos postos sobre a imensidade!

Olhos de Mar, de sonho, de ansiedade,
Sem colírio ou remédio, dor sem cura,
Nos horizontes vãos da singradura
Vigilante e febril, da mocidade!

Pudera eu, no entanto, nesta hora,
Num certo cais, bem ao romper da aurora,
A esses tempos de sonho retornar…

Por algum sortilégio do Destino,
Ouvindo o badalar do antigo sino,
Dormir o último sono neste Mar!

Lucimar.
Natal, 29 de agosto de 2014.

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Hora do Amor

Continuando com o projeto de postar aqui os poemas selecionados para uma próxima publicação, hoje vou lembrar desta hora, entre o dia e a noite, do pôr do sol e do crepúsculo, que toca a alma de todos nós:

Hora do Amor

Esta é a hora que chega, da ansiedade,
Depois que o Sol partiu, por trás do monte,
E mergulhou no mar, buscando a fonte,
De outro dia, o amanhã, para a cidade.

Esta é a hora em que a angústia a alma invade,
Como uma onda intensa, no horizonte,
Antes que a noite chegue e a Lua aponte
Um caminho no céu, a imensidade…

É a hora em que o peito eleva um grito,
E se acendem mil pontos estelares,
Na abóboda violeta do infinito…

É a hora dos boêmios pelos bares,
É a hora de uma prece a Deus bendito,
Esta é a hora do amor em nossos lares…

Lucimar.
Natal, 28 de agosto de 2014.

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Água Murcha

Estou preparando uma próxima publicação de poemas, nos cânones clássicos: sonetos e redondilhas.

À medida que for revisando cada um desses poemas, vou publicá-los aqui, para eventuais críticas.

O primeiro deles é o soneto “Água Murcha”, que inicialmente escrevi para minha filha Ana, em 2005, quando ela assumiu, no trabalho, a área dos Direitos Ambientais.

Segue abaixo:

Água Murcha

A paisagem mortal, que não aceito:
Da terra esturricada e empobrecida,
Água murcha, cansada, já sem vida,
Meu coração que geme, insatisfeito.

Vejo o rio seguindo o pobre leito
Lentamente e sem força na descida,
Braços magros, ribeira carcomida
Margens secas, canal de curso estreito.

E vejo mais: a morte anunciada
Da floresta e do rio e da cidade
E das nações e da gente em retirada.

Se a água murcha não for prioridade
Aos povos de amanhã não resta nada,
Nem ao menos um sonho à Humanidade.

Lucimar.

Natal, 27 de agosto de 2014.

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Doce menina

Amigos:
Estimulado por vocês, que curtem, comentam e compartilham meus poemas, voltei a escrever com certa frequência.
Hoje pela manhã veio-me a ideia de uma pequena joia. Daí surgiu este soneto:

Doce menina

Uma pequena joia, envelhecida,
Numa caixinha velha, pequenina,
Lembrou-me de você, doce menina,
Muitos anos atrás, quase esquecida!

Era um dia qualquer. Eu, de partida
Pra mais uma viagem peregrina,
Da profissão do mar seguindo a sina
Sem passagem de volta: só de ida!

Mas parti e voltei, de madrugada,
Na neblina do sonho, concentrada,
Que tornava deserta aquela rua.

E quando entrei de novo em nossa casa,
Apenas encontrei um fogo em brasa
E aquela joia, de uma deusa nua!

Lucimar.
Natal, 20 de agosto de 2014,
09:12

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Raio de sol

 

 

Hoje quero recordar um poema – que escrevi uns vinte anos atrás – o qual pode ter duas leituras. Fica a critério do leitor escolher: direto, isto é, do primeiro ao último verso, ou, ao contrário, do último para o primeiro. As duas leituras têm sabores ligeiramente diferentes, mas o conjunto é que constitui o poema, propriamente dito. Divirtam-se:

 

num raio de sol
de pássaro ou
de um beijo, como num pouso
ou ausências nunca saciadas, senão no átimo
presenças,
solidões que juntas se fizessem milagrosamente
árvores, cujas raízes se buscassem na terra,
que se despojam de seus brinquedos mais caros,
fôssemos assim como duas crianças
de sal e sol,
no mar, na praia, no deserto
devagar, sem pressa alguma,
descobríssemos cada palavra, cada silêncio
definitivo,
num abraço fundo, fecundo, louco,
nós
e nossas mãos entrelaçadas,
absolutamente nós dois e o tempo,
e só existíssemos nós dois
na tarde,
um gesto que se dissolvesse infinitamente

e tudo o mais parecesse nada
como num conto de kafka
contudo fossem conscientes
gaivotas, procelárias, albatrozes,
na praia branquíssima:
e os sons surgissem de repente
e o mar tivesse sons
em mim, onde houvesse mar
um sonho azul, a tarde

ou como uma lágrima
tão leve como um sorriso
que permanece longinquamente
no tempo,
uma palavra profunda, um sopro
da minha carne
sobre o mundo
um silêncio que de repente se abateu
como um pouso de pássaro
delicadíssimo
um leve passo delicado…

Natal, 18 de agosto de 2014.

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Tempestade

Amigos, eu estava conversando
no Facebook, com Ivani Fernandes e Luiz Lima, ao mesmo tempo em que compunha um soneto, exatamente sobre aquele assunto de nossa conversa. Acabo de concluí-lo. Aí vai:

Tempestade

Que dor é esta, que me fere o peito,
Quando chego na praia e sinto o vento
Se percebo estes barcos ao relento,
E me sinto infeliz, insatisfeito?

Que estranha sensação, que estranho jeito
De uma vida que escorre em fogo lento,
Afogada de mágoa e sentimento,
De um coração fiel, mas imperfeito?

É que esta vida passa de repente
Como a brisa que sopra mansamente
Nas ondas leves, calmas, desta praia…

Pois amanhã, se chega a tempestade,
O mar se encrespa, se agiganta e invade
E a terra geme, anêmica, e desmaia!

Lucimar.
Natal, 13 de agosto de 2014.
09:48.

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