É de madrugada

Um poema, para esta madrugada:

É de madrugada

É de madrugada. 
Ando pela rua. 
Os pés me doem, 
cheios de tristeza: 
o peso da vida, 
o peso do corpo, 
o peso da morte. 

É de madrugada. 
A rua está deserta. 
Não há lua no céu, 
nem estrelas. 
Somente o silêncio 
e o frio das sombras. 
Nada mais. 

É de madrugada. 
Quem sabe o sol venha cedo, 
quem sabe o dia nasça antes, 
quem sabe chegue a chuva, 
pra lavar meu rosto deste tempo vazio. 

É de madrugada. 
Não mais a noite, que foi embora. 
Não mais as gentes, que partiram todos. 
Não mais os sonhos, que murcharam. 

É de madrugada. 
Tanto silêncio, 
tanta escuridão, 
tanto frio, tanta dor, 
nada disso é maior que este imenso sentimento 
de estar vivo, 
de querer caminhar, 
de buscar um novo dia.

Natal 6 de maio de 2014.
Lucimar.

A imagem foi copiada da Internet.

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