Velho navio

O poema que transcrevo a seguir lembra o Navio Oceanográfico, ex-Navio-Escola, “Almirante Saldanha”, no dia de sua Mostra de Desarmamento, isto é, no dia em que deu baixa do serviço ativo, depois de 56 anos contínuos de serviço ativo.

O poema emprega imagens que devo explicar. 

Somente quem teve a graça de servir nele, navio histórico, veleiro transformado em oceanográfico, que perdeu os quatro mastros – pode compreender inteiramente as referências ao “gajeiro”, vigia do cesto da gávea em veleiros, bem como aos “mastros decepados” e às “manobras a pano”.

Velho navio

ao eterno navio-escola “Almirante Saldanha”

Velho navio,
cisne branco em ventre azul
das águas límpidas do sul.

Quantas vezes partiste,
rasgando o dorso dessas águas,
rútilo velame de punhais
que permanece incólume
ao tempo e à morte.

O grito do gajeiro fere,
súbito,
o teu silêncio ancestral.

Na noite dos teus mastros decepados,
ouço vozes perdidas de manobras a pano
e o vento milenar da tempestade.

Hoje, meu velho Saldanha,
renasces, para sempre.
E, fulgurante pássaro marinho,
retornas à integridade original.

Escrito no Rio, a 6 de agosto de 1990.

Natal, 15 de abril de 2014.

Lucimar.


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Uma resposta para “Velho navio

  1. tive o privilégio de servir neste majestoso navio, no período de 1960 a1964, ao ler esse belo poema me reconfortou-me a alma que belos dias ali vividos.

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