Homem e Mar

Abraças a manhã cinzenta e fria, que traz de longe o açoite crispado dos ventos do mar.

Beijas no ar o voo branco das gaivotas peregrinas, traços perdidos como desenhos vãos.

Caminhas no espaço louco dos teus olhos o sonho de viver, maior que todos os espaços.

Deságuas no oceano da alma a esperança de ser, de conhecer, de amar sem medida.

Expandes sobre as ondas de tempo o som interior do teu segredo, da dor, da solidão.

Fecundas no deserto das multidões sem rumo a véspera ansiosa de fraternidade.

Guardas no peito ferido de punhais e anseios o anseio das manhãs que virão, depois da dor.

Homem és, de onde estás, olhos postos no infinito, consciência e luz.

Istmo agudo entre a terra e o céu,
Janela que se abre para a eternidade,
Lamento e expectativa, sol e sombra,
Mar, de profundidades e larguras,
Nada te completa, em tua busca sem fim.

Ontem, hoje e amanhã,
Passado, presente e futuro,
Queres tudo conter.
Respiras o desejo insaciável, a
Sede imitigável.
Transpiras o suor das grandes lutas,
Urgentes, derradeiras.

Vigia dos séculos, ó homem,
Xis de toda a equação universal,
Zelador do abismo, anjo e fera.

Lucimar.
Natal, 22 de março de 2014.

Neste poema, emprego a técnica do acróstico, de A a Z.

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